24.6.20

Economia do Brasil tem fuga recorde de capital estrangeiro

Economia

Foto: Pixabay

O mercado brasileiro de ações, fundos de investimentos e títulos de renda fixa sofreu retirada de US$ 50,9 bilhões pelos estrangeiros nos últimos 12 meses. O valor registrado pelo Banco Central é o maior desde o início do monitoramento, em 1995. Em maio, a saída foi de US$ 2,2 bilhões.

 

Por que investidores estrangeiros deixam o Brasil

Os gastos dos governos de vários países no controle dos efeitos da pandemia deixam os grandes investidores mais cautelosos, especialmente em relação aos países emergentes. Os prêmios não compensam o risco.

No caso do Brasil, a redução da taxa básica de juros, a Selic, hoje em 2,25% ao ano, aliada ao descontrole da pandemia e à instabilidade política afugenta os recursos.

A perspectiva piora com as ações de desregulamentação ambiental promovidas pelo governo federal. Representantes de fundos de quase US$ 4 trilhões enviaram ao governo carta em que relatam preocupações com o desmatamento e com a violação dos direitos dos povos indígenas da Amazônia.

 

Projeção pessimista para a economia do Brasil

O quadro esvazia o discurso do ministro da Economia, Paulo Guedes, para quem a reforma tributária que começa a ser discutida com o Congresso traria a segurança necessária para a retomada dos investimentos diretos e indiretos.

O argumento foi usado durante a negociação da reforma previdenciária. O resultado, no entanto, foi negativo. O surto de Covid-19 agravou o cenário, é verdade, mas a saída de recursos, o consumo e a produção internos, além do nível de desemprego, já vinham sofrendo desde meados do ano passado.

A última projeção do produto interno bruto do Brasil (PIB) para 2020 foi reduzida em mais de quatro percentuais pelo fundo Monetário Internacional (FMI). Segundo a instituição, a soma dos produtos e serviços produzidos este ano no país deve ser de – 9,1%.

Se confirmada, a maior retração econômica do Brasil nos últimos 120 anos será quase o dobro da queda PIB global causada pela pandemia.

A paralisação da produção e a cobertura dos prejuízos causados pelo Covid-19 devem causar retração planetária de 4,9% .

23.6.20

ORAÇÃO À MONTANA

Arte

Foto: Polícia Civil/SP
Foto: Polícia Civil/SP

Recebei-me em vossa morada, Montana

Ai, sim com reserva

Ai, sim com modéstia

Resguardai-me e protegei-me.

 

Tiro, tiro, tiro

Tiro de mim os pecados

Tiro de mim as más intenções

Confesso-os a vós em súplica

Guiai-me pela carreira do perdão.

 

Levai-me pela trilha original

Do pó viemos, de pó nos fazemos, ao pó iremos.

Atirai, Montana, ao longe os infiéis

Não me deixeis encontrar o mal disfarçado em justiça.

 

Iluminai-me com vosso brilho

Ai, sim com o senhor serei

Ai, sim com o senhor irei

Ai, sim, com o senhor estarei forte na pura alegria.

21.6.20

Quantos mortos pelo Covid-19 bastam para Bolsonaro?


Foto: Pixabay
Foto: Pixabay


Mais de sete milhões de brasileiros devem morrer por causa do boicote do presidente Jair Bolsonaro ao isolamento social. A estimativa do blog é conservadora, baseada em estudos do próprio governo.

 A pressão bolsonarista pela reabertura das indústrias e serviços a fim de acelerar o chamado efeito de imunização do rebanho, sem o mínimo do controle exigido pelo sistema, aumenta o risco de morte. A falta de recursos humanos e materiais levou a maioria dos países a descartar a proposta, inclusive o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O número de vítimas fatais depende da disposição de governadores e prefeitos em dividir com o presidente a responsabilidade pelo genocídio.

Bolsonaro quer 70% dos brasileiros contaminados pelo coronavírus

Segundo o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (ibcit), órgão ligado ao Ministério da Saúde, o efeito rebanho no Brasil exige que 69% da população seja exposta ao vírus. A parcela mais vulnerável, como idosos e portadores de doenças pré-existentes, deveria ser excluída deste universo.

Porém, com a falta de planejamento e ações consistentes, como a testagem em massa e isolamento vertical, além da disseminação indiscriminada do vírus por todo o território, os 212 milhões de brasileiros estão igualmente sob os mesmos riscos.  O Governo Federal espera então por 146 milhões e 280 mil pessoas contaminadas.

Como a contaminação por Covid-19 pode se tornar um genocídio no Brasil

 A subnotificação de casos de contágio do Covid-19 e a manipulação dos dados sobre as vítimas, relatadas por médicos e cientistas, impedem projeções precisas das mortes decorrentes do plano governamental.  A quantidade de profissionais de saúde e equipamentos, bem como a inclinação da curva de contágio, ainda ascensão, são cruciais para a sobrevivência das vítimas.

O cálculo leva em consideração a taxa de letalidade aferida pela Universidade John Hopkins na última sexta-feira (19/06), de 4,9%, baseada nos relatórios do Ministério da Saúde.

Pelo quadro atual, em que o sistema colapsou ainda apenas em algumas regiões, e o número de casos ainda não se estabilizou, chega-se então à previsão de que sete milhões 167 mil e 720 pessoas devem morrer até que oficialmente o país possa afirmar que está imunizado. Se o sistema de atendimento aos infectados superlotar, a taxa de mortalidade pode acompanhar o ritmo em que se encontram hoje os da Suécia e do México.

Nestes dois países, onde o isolamento foi negligenciado, as taxas de letalidade apuradas pela Universidade John Hopkins chegaram a 9% e 11,9%, respectivamente. No Brasil, estes índices significariam mais de 17 milhões e 400 mil mortos.

O presidente da República tem na cabeça estes números quando silencia ou diz que todo mundo morre um dia.